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Abordagens teóricas sobre crianças surdocegas

A importância do movimento: a proposta de Van Dijk
Amaral (2002), relata a necessidade de abordagens funcionais e coativas no atendimento
à criança surdocega.
A abordagem funcional salienta a necessidade de dotar a criança surdocega com
aprendizagens significativas para a sua vida futura, salientando a necessidade de
aprendizagens centradas em experiências reais do dia a dia.
A abordagem coativa tem como base os estudos de Van Dijk (1989). Autores como
Jurgens (1977), MacFarland (1995), Fernandez (1997), Petersen & Santos (2000), entre outros,
apontam a constatação de Van Dijk de que as experiências motoras realizadas pela criança,
em conjunto com o professor, por meio do movimento coativo constituem o fundamento e a
base do desenvolvimento e da aprendizagem. Elas fornecem à criança surdocega melhor
qualidade e quantidade de interações com pessoas, objetos e acontecimentos. Nesse processo,
a função do professor é proporcionar pontos de referência que permitam à criança organizar
seu mundo, estimulando-a e motivando-a a se comunicar e se relacionar com o mundo a sua
volta (Writer, 1987; Bloom, 1990; Watkins & Clark, 1991; Wheeler & Griffin, 1997).
Nesse enfoque, o elemento central é o próprio corpo da criança, suas necessidades,
desejos e interesses. O professor e a criança se movem e atuam permitindo a esta descobrir
o seu próprio corpo como instrumento para explorar o mundo. A viabilização dessa
comunicação inicial pode ser realizada a partir do programa de comunicação de Jan Van
Dijk. Esse programa compreende seis fases: 1) relação de apego e confiança (nutrição), 2)
fenômeno de ressonância, 3) movimento co-ativo, 4) referência não-representativa, 5) imitação
e 6) gestos naturais. O objetivo do desenvolvimento dessas fases consiste em viabilizar
melhores condições de aprendizagem de um sistema de comunicação pela criança, ampliando
suas potencialidades de interação com o ambiente.
As fases não são excludentes, nem exclusivas. A criança poderá apresentar várias fases
simultaneamente. O tipo, o local, as condições de realização das atividades propostas e as
necessidades da criança é que determinarão as características de sua participação. Seguemse
a descrição e exemplos relativos a cada uma das fases (Cader & Costa, 2000).
Relação de apego e confiança
A fase da relação de apego e confiança (nutrição) consiste no desenvolvimento de um
vínculo afetivo entre a criança e o adulto. Van Dijk (apud Writer, 1991) descreve esta fase
como o momento em que se procura desenvolver com a criança uma relação de segurança
que a faça sentir-se confortável consigo mesma e com a outra criança. Wallon (1975) destaca
a importância do vínculo afetivo na manutenção das primeiras interações da criança com o
ambiente, sendo o vínculo social o pré-requisito mais importante para o desenvolvimento da
comunicação e da linguagem. Nesse contexto, é importante considerar que a primeira
linguagem utilizada pela criança é a emocional.
Van Dijk (apud Writer, 1991), cita as seguintes sugestões para ajudar a criança no
estabelecimento de um vínculo afetivo adequado durante essa fase:
1) limitar o número de pessoas que trabalham com a criança;
2) estabelecer uma rotina de atividades diárias;
3) favorecer estímulos externos consistentes e adequados, evitando superestimulação
ou a falta de estimulação
Exemplificando: nesta fase, a criança não fala. Simplesmente se movimenta, emite sons,
chora, sem saber a repercussão real das suas ações no ambiente e, em particular, para a
mãe. Suas ações poderão provocar decodificações variadas no adulto. Ele poderá, entre outras
reações, retirar a criança do berço e colocá-la no colo, ou mudá-la de posição. Toda essa
comunicação inicial é realizada a partir das ações emocionais da criança que são interpretadas
pelos adultos significativos na vida dela. Portanto, é imprescindível que o professor reconheça
esta fase e a importância do vínculo afetivo como base para a introdução das demais fases do
desenvolvimento da comunicação não verbal, defendidas por Van Dijk (apud Freemam, 1991),
Bove (1993), Silva (1995), Wheeler & Griffin (1997) e Chen et al. (2000).

Fonte: MEC/Brasília-DF/2006

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